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RICARDO SALLES “PASSANDO A BOIADA”
02/10/2020 00:26 em Política

Desde o começo de sua gestão, em janeiro de 2019, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, vem trabalhando para “passar a boiada”, criando regras que dificultaram a aplicação de multas, transferindo poderes do Ministério do Meio Ambiente para outras pastas, e tentou mudar o entendimento sobre normas como a Lei da Mata Atlântica.

 

"Precisa ter um esforço nosso aqui, enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só se fala de covid, e ir passando a boiada, e mudando todo o regramento (ambiental), e simplificando normas".

 

A frase é famosa: foi dita pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, na reunião ministerial do dia 22 de abril, e tornada pública por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

 

A promessa do ministro de acabar com normas de proteção ambiental que, em sua opinião, atrapalham a vida de empresários vem sendo cumprida cada vez mais. Na segunda-feira (28/9), como resultado de sua articulação, o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) retirou a proteção de cerca de 1,6 milhão de hectares de restingas e manguezais pelo país. São áreas de preservação permanente nas proximidades do litoral brasileiro que despertam interesse do setor imobiliário e de carcinicultores, os produtores de camarão.

 

“Pouco a pouco estamos perdendo todo um arcabouço legal que vem desde antes da Constituição Federal de 1988. É um retrocesso sem parâmetros para o país”, alertou a gerente da causa água da organização não governamental SOS Mata Atlântica, Malu Ribeiro. Para ela, o Conama deveria estar ampliando a área de proteção dos biomas, não diminuindo, como sugere o ministro Salles, que também preside o conselho.

 

Esses não foram os primeiros retrocessos na área ambiental em 2020. Nas últimas semanas, o Governo Bolsonaro tem atuado de maneira controversa no combate aos incêndios no Pantanal e na Amazônia.

 

Por conta das constantes 'boiadas', um grupo de procuradores do Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação de improbidade administrativa contra Ricardo Salles, pedindo que a Justiça Federal o afaste do cargo. O caso está atualmente nas mãos do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (Brasília).

 

Sara Lambert Estudante do 1° período de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto

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