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SEMANA DA MÚSICA: HISTÓRIA DA MPB
25/11/2020 16:43 em Música

A Música Popular Brasileira, de acordo com o Dicionário Albin Cravo de Música Brasileira, é um símbolo da nossa gente brasileira. Esse gênero surgiu na década de 1960, consolidando-se hoje, como uma tradutora da vida cotidiana brasileira, da nossa cultura e nossos costumes, se incorporando ao imaginário do nosso povo, norteando caminhos e significados na mentalidade dos brasileiros como um povo, uma nação.

Como um caldeirão de ritmos e identidades culturais, o MPB surgiu inicialmente da fusão da bossa nova e do folclore nacional, ao mesmo tempo defendendo uma sofisticação musical e uma fidelidade à música de raiz brasileira. A primeira música considerada como MPB, foi a música Arrastão, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo, interpretada por Elis Regina. Mas na época, nem se chamava MPB. Esse gênero era chamado de MPM, porque não era bossa nova e também não era samba, mas incorporava muito desses dois ritmos em suas canções, principalmente no caráter político do estilo: A MPB fazia uma ode às belezas do Brasil, extremamente ufanista e seus artistas costumavam fazer severas críticas à injustiça social e ao regime vigente na época, a ditadura militar. Chico Buarque foi um dos grandes pioneiros.

Seguindo esse fio, no fim da década de 60 surge um movimento disposto a colocar de cabeça para baixo tudo que se sabia e se fazia de música no Brasil: o tropicalismo. Foi aí que as guitarras elétricas ganharam espaço no gênero, dando uma nova cara para o estilo musical, mais psicodélica e visceral, com muita influência da cultura hippie e das bandas de rock inglesas. Faziam parte desse movimento artistas como Caetano Veloso, Gal Costa, Gilberto Gil, Os Mutantes, entre outros. O tropicalismo criticava duramente o imperialismo, mas importava muita coisa lá de fora e abrasileirar tudo: o rock, o pop e o reggae foram incorporados ao estilo, surgindo assim o samba reggae e o samba-rock. Muitos artistas que não eram do movimento também foram influenciados por essa estética e os Novos Baianos é um exemplo disso.

Dentro do estilo outros movimentos também surgiram, como a Jovem Guarda e o Clube da Esquina, consagrando artistas como Milton Nascimento e Roberto Carlos. Ao longo dos anos, outros estilos foram sendo agregados: o soul e o funk que fizeram de Jorge Ben Jor, Tim Maia e Wilson Simonal lendas da música, além do axé music e do manguebeat. Até hoje, a MPB vem mudando e se modificando, assim como nossa sociedade vem mudando. Hoje, a música popular brasileira é tão vasta e plural que fica até difícil delinear o que é MPB e o que não é. Ela agrega o rap, o hip hop, a música eletrônica, o funk carioca, entre outros, destacando-se artistas como Céu, Silva, Majur, Liniker, o grupo musical BaianaSystem, entre outros.

O importante é lembrar que o MPB celebra a cultura das ruas, dos terreiros, das procissões, dos mercados, das cidades e das pessoas brasileiras. O MPB é nossa história, nossa memória como povo. Ela narra as nossas vivências e nos ajuda a fazer uma leitura do Brasil que vivemos diariamente. A nossa música popular brasileira, acima de tudo é nossa e é resistência.

 

Daniel Martins Barros, aluno de Letras da Universidade Federal de Ouro Preto.

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