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POR QUE A DUBLAGEM É IMPORTANTE?
08/02/2021 14:37 em Cultura

 “Pelos poderes de Greyskull! Eu tenho a força!’’, “O que que há, velhinho?’’, ‘’Scooby-Doo, cadê você?“,  “Continue a nadar, continue a nadar!’’,  “Ao infinito e além!’’

  É provável que você já ouviu alguma dessas falas e as repetiu com a voz dos personagens na cabeça. São bordões de desenhos animados que marcaram época e a infância de inúmeros brasileiros, nascidos a partir da década de 80. Isso possivelmente aconteceu, e ainda acontece, porque a fala é um dos primeiros tipos de comunicação que se aprende e a que predomina usualmente com exceção de pessoas com deficiência. A animação é a porta de entrada para a imersão no mundo audiovisual, por ser o entretenimento fonte de aprendizado  para crianças. Como os pequenos ainda não sabem ler, precisam que o conteúdo seja dublado na língua nativa. 

Mas, afinal, o que é dublagem? 

A palavra vem do francês doublage e significa “dobragem’’. Dublagem, então, nada mais é do que a substituição da voz original de uma produção audiovisual (como os desenhos, filmes, séries e documentários) para a língua do país na qual a produção será exibida. No caso de animações produzidas no país de origem, o que acontece não chega a ser exatamente uma dobragem, uma vez que não há troca na fala. A obra costuma ser feita com a sincronia labial da língua matriz e alguém é escolhido para dar voz ao personagem.  Dessa forma, a dublagem que nos referimos é quando, por exemplo, um desenho “hollywoodiano’’ será exibido na televisão brasileira. Para que as crianças não alfabetizadas e em processo de alfabetização possam assistir esse desenho, um estúdio realiza a substituição da voz em inglês para o português.

Esse processo não é só importante para o público infantil, mas também para os não letrados e pessoas com deficiência visual. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, 11,3 milhões de pessoas a partir de 15 anos são identificadas como analfabetas absolutos no Brasil. Além disso, um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM), em conjunto com a ONG Ação Educativa, 29% da população brasileira é analfabeta funcional. Um censo de 2010, do IBGE, demonstra que  cerca de 6 milhões de brasileiros possuem baixa visão ou visão subnormal (grande e permanente dificuldade de enxergar) e pouco mais de 500 mil são cegos.

Pensando nessa parte da sociedade, a dublagem é uma forma de acessibilidade. Ela é um meio essencial de levar conhecimento e entretenimento por meio do audiovisual. Sobretudo, é uma ferramenta democrática porque dá a opção para público escolher a melhor forma de assistir algo. Realizamos uma pesquisa, respondida por 302 pessoas e feita por meio do Formulário Google, para fazer um levantamento da preferência entre legenda e áudio em portugues. A análise demonstrou que 47,7% das pessoas que responderam o formulário preferem assistir filmes, séries, desenhos e animes legendados. Outros 15,9% gostam de ver dublado e 36,4% afirmam que depende. 

As motivações da escolha por legendagem são variadas, mas a principal é o gosto em ouvir as vozes originais. Já a opção por dobragem é justificada pelo fato do espectador poder dedicar toda a atenção ao que se está assistindo. Agora, quando se fala em desenho, a opinião de achar a dublagem brasileira boa, é quase unânime. Outro ponto a se analisar é  que, do total de pessoas que participaram da pesquisa, a maioria está no ensino superior, completou a graduação ou se encontra/terminou a pós graduação. Contudo, isso não reflete a realidade do país: apenas 25,2% dos jovens de 18 a 24 anos estava cursando ou concluiu o ensino superior, em 2018, segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE. Por conta disso, vemos que a dublagem é importante pela possibilidade de acesso e por oferecer o poder de escolha. Imagine que você queira assistir um filme depois de um dia cansativo e esteja com preguiça de ler legendas. Não é legal ter a opção dublada? Ter a oportunidade de escolher é gratificante e, além disso, democratiza o acesso a todos.

 

 Alice Carpes, aluna de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

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