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MUNDIAL DE CLUBES ESCANCARA O DECLÍNIO CADA VEZ MAIOR DO FUTEBOL BRASILEIRO
12/02/2021 17:08 em Esporte

Desde o Corinthians em 2012, apenas europeus venceram a competição, e na edição 2020/2021, o Palmeiras encerrou sua participação como o pior brasileiro em um mundial.

O Mundial Interclubes, que em seu formato inicial (Copa Continental Toyota) se encerrou em 2004, com assombroso equilíbrio entre América do Sul e Europa, e surpreendam-se, vantagem sul-americana (22 títulos contra 21 dos representantes do Velho Continente). Por outro lado, a edição idealizada e realizada pela FIFA (com início em 2000) evidencia a mudança de realidade do futebol brasileiro no século XXI, sendo apenas Corinthians (2x), São Paulo e Internacional que conquistaram o título no período (24%), enquanto os europeus levantaram a taça em 13 edições (76%).

Essa mudança de paradigma pode ser datada, até a assinatura da sentença Bosman, que abriu as fronteiras européias para os craques sul-americanos assegurando que clubes europeus pudessem inscrever mais jogadores estrangeiros em seus elencos (Até 1988, eram aceitos apenas dois estrangeiros por equipe). Desse modo, influiu diretamente na qualidade do futebol apresentado em solo americano, finalmente no Brasil. Afinal, até a década de 90, a grande maioria dos atletas de alto nível figuravam nos clubes brasileiros, com raríssimas exceções, como Zico, Romário e Ronaldo. E hoje, o destino natural do jogador que se destaca no Brasil é a Europa, solo em que se pratica o melhor futebol do mundo. Assim, os clubes brasileiros, que formam esses talentos, não usufruem de seus atletas, tornando-os incapazes de fazer frente a uma equipe de elite.

Vale ressaltar o argumento normalmente utilizado pelos saudosistas brasileiros, “o Brasil forma grandes craques, e isso sempre será suficiente para bater de frente com eles”. Esse posicionamento fica cada vez mais inválido, pois, sim, o Brasil é o celeiro de alguns dos principais jogadores do mundo. Contudo, como já mencionado, nossas estrelas partem rumo à Europa muito jovens, atraídos pelos altos salários e visibilidade de equipes como Paris Saint Germain, Real Madrid, Juventus, Manchester United, Chelsea, e até de equipes do segundo escalão europeu, como Shakhtar Donetsk, Porto e Benfica. Acentuando a desigualdade que nos impede de sermos campeões mundiais novamente.

A participação do Palmeiras foi a mais pífia e vexatória de um clube brasileiro no Mundial, a equipe se despediu da competição em 4º lugar (pior colocação de um clube sul-americano), sendo incapaz de marcar um único gol na competição. Acendendo, assim, um sinal de alerta para todo o futebol nacional, a queda é brutal e no atual cenário, o brasileiro está mais nivelado com mexicanos, africanos e asiáticos e cada vez mais distante do topo do mundo da bola.

 

João Benedito do Nascimento Gonçalves, aluno do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Ouro Preto.

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